quarta-feira, 6 de julho de 2011

Rating

A descida de rating de ontem não tem justificação...
Arrasa qualquer processo de reentrada no mercado da dívida bem como qualquer esforço acrescido de consolidação de dívida. As medidas suplementares apresentadas pelo governo iam mais além do acordo com a Troika. O objectivo era claro e destinava-se ao exterior, tomar pedidas profilácticas para que não fossemos obrigados a rever os objectivos no final do exercício orçamental. Estas medidas foram recebidas com agrado pelas instâncias competentes que perceberam o comprometimento do país e das forças políticas em cumprir o acordado. Na verdade este foi o único facto importante das duas últimas semanas e que teriam o efeito esperado de aliviar a pressão dos mercados de dívida. Contra todos os factos, a Moody's corta vários níveis de Rating e coloca Portugal sem saída. Porquê? Baseado em que dados?
As 3 principais agências de Rating, todas elas sedeadas no E.U.A., partilham mais de 90% do mercado específico e têm, por falta de concorrência, uma influência desmedida no mercado e na percepção de risco do mesmo. Normalmente não acho que medidas de força por parte de intervenientes de micro dimensão como o nosso país possam surtir qualquer efeito, mas de facto apetece deixar de lhes encomendar notações de risco... o que poderia acontecer?? cortarem-nos o Rating? Infelizmente o presente não se coaduna com o que queremos de futuro e de futuro queremos regressar ao mercado e apresentar percepções de risco simpáticas que nos permitam emitir dívida a juros comportáveis.
Os E.U.A. pelo seu Presidente sugeriu há pouco tempo que teria de ser aprovada uma alteração constitucional para que o país possa endividar-se mais ainda, e dessa forma poder honrar compromisso de curto prazo. A juntar a essa declaração de intenções sabemos que o senado é neste momento de maioria Republicana, fortemente opositora ao aumento do endividamento e opositora de Obama em geral... Rating dos E.U.A.: AAA...

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