Do timing:
As negociações foram rápidas, as diferenças foram colocadas de lado para outros dias. Era importante apresentar rapidamente um governo e fazê-lo de forma coesa sem fugas de informação os desditos. A surpresa em relação a alguns nomes reflecte isso mesmo e eventualmente algumas possíveis recusas. Ficou de fora do acordo Fernando Nobre, que não tinha a ver com o governo em si e que poderia atrasar a constituição do mesmo. Quanto a Fernando Nobre, o equilíbrio entre a "palavra dada" e uma possível fragilização com uma derrota na eleição em Assembleia deve ser muito bem gerido por Passos Coelho. Pessoalmente acho que Fernando Nobre foi primeiro uma má escolha e agora representa um fardo. Se ele se apercebesse disso retiraria o nome de cogitação e o problema ficaria resolvido.
Do organograma:
11 ministérios que serão complementados por secretarias de estado mais abrangentes e importantes. Ressaltam as secretarias de estado já conhecidas, Cultura sob alçada directa do 1º ministro, secretaria de estado da presidência e adjunta, cargos próximos do 1º ministro que resultam de ministérios que deixam de existir.
2ª personalidade do governo, o Ministro das Finanças uma decisão já esperada graças á importância do cargo e centralidade na discussão orçamental que se segue. Das negociações surge um governo equilibrado entre as opções de aparelho partidário com 4 e 3 ministros cada e 4 ministros marcadamente independentes. CDS fica com o Ministério dos Negócios Estrangeiros particularmente relevante numa óptica de diplomacia económica, é também uma ambição antiga de Paulo Portas. O super-ministério da Agricultura, Ambiente, Mar e Ordenamento do Território e o pequeno Ministério da Solidariedade e Segurança Social completam o pecúlio do CDS. Finanças, Educação, Economia e Saúde ficam com os independentes e são os ministérios mais importantes nesta fase devido a crise, Só a Saúde representa 10% da despesa nacional.
Executivo:
Os nomes prpostos pelo CDS já eram esperados, Paulo Portas e duas pessoas próximas. Assunção Cristas tem em mãos um super-ministério e controla 90% dos fundos europeus. terá de ter uma equipa bastante alargada para gerir tudo isso. Paulo Portas pode negociar a compra de dívida nacional e divulgar uma imagem diferente. Pedro Mota Soares fica com o ministério mais "estranho" de todos, pequeno e desprovido do Emprego.
Nas Finanças surge um desconhecido do grande público e meu também. Tem um impressionante currículo mas pouco executivo. Ideologicamente está muito próximo do proposto em campanha por Passos Coelho o que representa coerência, Vítor Gaspar está muito por dentro do funcionamento das instituições europeias e do BCE o que é uma enorme vantagem.
Outro desconhecido Santos Pereira surge na Economia. Como vantagem tem a independência é no entanto académico sem grande experiência e tem em mãos outro super-ministério com as empresas do estado, negociações com os sindicatos e preparação das privatizações. Tarefa Hérculea.
Saúde fica com Paulo Macedo numa escolha economicista e arriscada. É, acredito a pessoa certa para controlar as despesas nessa área, assim como abre perspectivas para uma futura revisão constitucional... o "tendencialmente gratuito" pode mudar.
Esperava ver Vitor Bento no executivo bem como Bagão Félix. Não me agrada a presença de Paula Teixeira da Cruz nem de Miguel Relvas. Contava ver Miguel Macedo nos Assuntos Parlamentares, e Aguiar Branco na Justiça. A Administração Interna poderia ficar com Nuno Melo do CDS saindo Mota Soares e juntando o Emprego á Segurança Social sob a alçada de mais um independente.
No geral é um governo jovem e representa um espírito de mudança bastante marcado. Pode ser acusado de pouca experiência mas se levarmos em linha de conta a "experiência" passada... não é defeito...
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